segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Sem Vida

No que diz respeito à catequese das crianças e adolescentes, começam as aflições que a todos tocam. Para os "responsáveis" pela catequese, a começar pelo pároco, levantam-se as questões costumeiras: como fazer? Onde "encontrar" catequistas?... Já da parte de dos catequizandos se levanta o problema do "já aí está a  escola e a catequese outra vez"... Por parte dos pais, particularmente os que têm filhos em idade de iniciar a caminhada catequética, importa  saber o  quando começa e o como inscrever os filhos?.

Tudo questões para as quais se encontrarão respostas e soluções, mais ou menos atravancadas, infelizmente, por as nossas comunidades não estarem preparadas, nem se sentindo necessitadas de catequese, porque, mais grave ainda, não se sente proximidade com Deus nem, ao menos, necessidade d'Ele.

Ao iniciar mais um ano de catequese, muitas  questões se levantam a quem tem o desejo e a responsabilidade de a fazer avançar. Antes de mais, perguntamo-nos do "a quem" catequizar? A resposta vai no sentido oposto àquilo que, habitualmente, se faz. Os adultos, esses que já têm "tudo", são aqueles que mais têm necessidade de catequização porque, na prática, uma enormíssima maioria não tem "nada". Se não são os pais a assumir a responsabilidade e o cuidado da educação dos filhos, diremos que é perder tempo e contraproducente a catequese às crianças. A elas dá-se um sopro daquilo que os pais negam, em teoria e em prática. O resultado? "Nenhum". Deixo a resposta entre aspas por não corresponder exatamente à verdade, pois a ação da graça divina não é vã, e, além disso,  pelo menos alguns dos catequistas acabam por fazer caminhada. 

Afirmar que o resultado é nenhum, vem-nos da análise que, com o olhar, fazemos das nossas comunidades, das nossas celebrações. Não se veem as crianças, os adolescentes ou os jovens crismados, a fazer parte da comunidade celebrativa. Só celebra quem vive. Quem não vive está morto. Não se veem os pais dos filhos que frequentam a catequese. Se não há vida nos pais, dificilmente a haverá nos filhos. Honra seja feita àqueles, muito poucos, que, fazendo parte destes grupos dos ausentes, estão presentes  e manifestam fé. 


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Que Bom Pastor?

 

Celebramos o "Dia do Bom Pastor". Vivemos em tempo de sobrevalorização dos animais, a ponto de, num  dos países da América Latina, já se estar a fazer proposta de lei para considerar os animais como "pessoas não humanas". Elevá-los ao nível de pessoa é conceder-lhes direitos que se igualem aos humanos, se bem que não se lhes podem dar deveres, porque eles não são racionais, não tendo, por isso, capacidade para os entender e, como tal, para os cumprir.

Celebrar o Cristo Bom Pastor é imagem bela para que
tomemos consciência de que somos "rebanho" conduzido, guiado e amado, por Aquele que se se fez um e nós
, pondo-se ao nosso nível, para manifestar o infinito amor com que Deus ama, capacitando-nos, assim, para o entendimento desse amor, precisamente porque foi, é, em humanidade que Ele se manifesta, se dá a conhecer. O Senhor não enviou um Anjo, ou um outro ser espiritual, veio Ele mesmo, assumindo a natureza humana, para poder comunicar-Se a nós de modo que pudéssemos entender.

Bom Pastor que guia o seu rebanho, o seu Povo, por caminhos plenos de verdade e de vida, a pastagens que alimentam em eternidade, fazendo-se Ele mesmo alimento. É muito mais profunda, esta imagem do Bom Pastor, que aquilo que podemos alcançar. somos guiados, levados, alimentados, para viver eternamente, não conduzidos e alimentados para, no fim, ser mortos em proveito do pastor; o nosso Pastor adquiriu-nos, não a preço de ouro ou prata, mas a preço do seu sangue, deixando que a sua vida fosse um permanente "desfazer-se" a si mesmo, para "fazer" de nós filhos. Hoje, Ele continua a "derreter-se" em misericórdia e ternura, pegando-nos ao colo, cumulando-nos de Graça e suspirando que nos confiemos à vida que nos oferece. Aos mais frágeis olha-os e ama-os com um amor misericordioso que passa "para além daquilo que é o infinito".

Pastor bom, que se faz vida e alimento na liberdade que nos oferece e em que podemos recusá-Lo e ser tudo aquilo que Lhe seja contrário e ofensivo. Haverá comunhão de vida, em ato de entrega e aceitação, na relação humano-divina do Bom Pastor com o seu Rebanho, na medida, e tanto quanto, nós, as suas ovelhas nos deixarmos confiadamente conduzir e amar por Ele.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

vai-te daqui, Satanás

 



Satanás não é propriamente o mais simpático de se chamar a alguém, mas foi o que Jesus chamou a Pedro, quando reagiu como reagiu ao ouvir Jesus dizer que havia de morrer às mãos dos “grandes” de Jerusalém.

Satanás tão somente aquele que se opõe e comanda toda a oposição a Deus. Toda a sua vontade e todo o seu agir vão no sentido de impedir que se realize o projeto salvador de Deus. Porque contra Deus não pode nada, atua junto das criaturas livres, o ser humano, para nos levar a negar, a impedir e a recusar a salvação operada e oferecida por Deus. Deus salva, o diabo quer que não chegue a nós essa salvação. 

Embora não se dando conta, S. Pedro estava a deixar-se guiar por vontade diabólica procurando levar Jesus a não se entregar à morte, precisamente porque seria nessa entrega que aconteceria a salvação, como de facto sucedeu. S. pedro está a reagir com a melhor das intenções querendo evitar a morte de Jesus - “Deus Te livre de tal, Senhor, isso não há de acontecer” - Se tal não acontecesse, não aconteceria a Salvação, os planos de Deus seriam frustrados. Esse era, continua a ser, o plano de satanás. Porque estava a agir por meros intuitos humanos, recusando que a ação de Deus se operasse, estava a ser intermediário do mal, e Jesus identifica-o com o próprio mal.

É assim mesmo que ele atua: discretamente; fazendo passar por bom aquilo que é mau; atraindo para a ilusão de vida aquilo que a ela não conduz; criando indiferença em relação a Deus; destruindo as bases das relações de amor, como é o caso da família; sexualizando as relações entre pessoas; levando a transpor os valores da vida humana para os animais, desvalorizando-os nas pessoas; destruindo a vida pelo aborto e a eutanásia, fazendo passar por valores aquilo que é exatamente o seu contrário… Tenha-se em conta que, como norma, ele não atua diretamente, mas através das pessoas, e sempre que se faz a sua vontade ele ganha terreno e quem perde somos nós. Ele nada perde porque só há sentimento de algo que é bom, e ele é condenado e nada há nele que não seja mal.

Foi das suas mãos, do seu poder, do seu domínio, que Jesus nos libertou ao morrer na cruz. É dele que Deus quer libertar-nos. Está em nós a escolha.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Vamos Recomeçar

Depois e duma "eternidade" sem a celebração da missa com a presença física da comunidade, reabre-se-nos a ocasião de o voltarmos a fazer. A celebração da missa e básico, porque ela é a base, na vida da Igreja. A participação nunca é virtual, ainda que seja feita por meios virtuais, mas a celebração com a presença física da comunidade é essencial. Claro está que esta participação tem os seus limites, aqueles que são humanos: doença, idade avançada, distância...

É preciso que nos previnamos quanto à possibilidade de virmos a contrair e/ou contaminar alguém, com um vírus, que pode ser mortal. Mas também não ns podemos fechar no medo de morrer, precisamente por que esse medo pode conduzir à morte. Vamos participar, assumindo limites, tendo cuidados.    

A Conferência Episcopal deu algumas orientações que acolhemos e vamos procurar respeitar. Fazemo-lo seguindo as orientações que nos são dadas pelos nossos pastores. A eles devemos obediência. Pensemos, confiantes, que estas medidas são temporárias, e peçamos ao Senhor que a vida volte, ao menos, à "normalidade" que tinha antes desta situação de pandemia.

Doem algumas coisas. Entre elas o impedimento à participação, por exiguidade de espaço, de alguns que o faziam habitualmente; o aconselhar à não participação de alguns idosos e doentes, por serem de risco; a "obrigação" de comungar na mão. O ataque continua a ser feito, a banalização da eucaristia tem aí um forte impulso. Pedimos ao Senhor que esta pandemia termine e outras não venham, também por isto: para podermos recebê-Lo com outro sentido. 

Enquanto a situação de limitação se mantiver, publicaremos, quinzenalmente, o programa de celebrações am ambas as paróquias.



sexta-feira, 22 de maio de 2020

Novena ao Espírito Santo 2020

1º Dia - 22 de maio (AQUI)

2º Dia - 23 de maio (AQUI)

3º Dia - 24 de maio (AQUI)

4º Dia - 25 de maio (AQUI)

5ª Dia - 26 de Maio (AQUI)

6º Dia - 27 de Maio (AQUI)

7º Dia - 28 de maio (AQUI)

8º Dia - 29 de maio (AQUI)

9º Dia - 30 de maio (AQUI)

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Rezar o Terço, em Maio, com crianças e adolescentes

Para meditação dos mistérios,

clique Aqui

terça-feira, 21 de abril de 2020

Faleceu o Sr. Padre Manuel Gaspar

O cónego Manuel da Silva Gaspar, de 101 anos, faleceu esta manhã, de doença natural, na Casa Diocesana do Clero, em Fátima, onde residia. O funeral será no cemitério do Souto da Carpalhosa.

Filho de Manuel da Silva e de Maria de Jesus, nasceu no Souto da Carpalhosa, no lugar da Carpalhosa, concelho de Leiria, em 6 de outubro de 1918. Entrou para o Seminário de Leiria em 1932. Concluída a sua formação, foi ordenado padre em 12 de julho de 1942, no Santuário de Fátima, pelo bispo D. José Alves Correia da Silva. Era irmão mais velho do padre Virgílio da Silva, já falecido. No seu longo percurso de serviço à Igreja, foi prefeito (1942-1961) e professor (1942-1974) do Seminário Diocesano de Leiria, assistente diocesano dos Cruzados de Fátima (atualmente Movimento da Mensagem de Fátima) de 1949 a 1960 e do movimento Juventude Independente Católica Feminina (JICF). Nos serviços diocesanos, desempenhou os cargos de Secretário da Associação de Doutrina Cristã (antecessor do atual serviço de catequese), de 1953 a 1960, Diretor da Pastoral Vocacional (1962-1972) e do Secretariado de Liturgia e Arte sacra, mais tarde denominado Secretariado de Pastoral litúrgica e Música Sacra (de 1972 a 2003). Foi ainda Juiz Pró-Sinodal na cúria diocesana, membro do Conselho Presbiteral em vários mandatos e do Cabido da catedral, tendo sido nomeado cónego em 1978.

No serviço mais diretamente pastoral, foi pároco dos Marrazes (1974-1978) e de Leiria (1978-1998), tendo sido também vigário da Vara de Leiria, desde 1976, durante pelo menos três mandatos. Em 1998, por motivos de saúde, deixou o serviço pastoral da paróquia de Leiria, indo residir para a Casa Diocesana do Clero e mantendo atividade no Secretariado de Pastoral Litúrgica.

Colaborou também na revisão linguística e literária da Bíblia Monumental Ilustrada, de livros litúrgicos e de várias publicações do Santuário de Fátima. O Cónego Manuel da Silva Gaspar era um homem muito acessível e amável, discreto, estudioso e de notável cultura, com uma paixão pela fotografia. No seu magistério de professor de várias disciplinas, era reconhecido como um bom pedagogo. Tinha um carinho especial pelos seus confrades, os sacerdotes, especialmente pelos mais novos. Acolheu vários em estágio pastoral e como colaboradores, dando-lhes espaço e apoiando-os no seu modo de ser e nas iniciativas. Foi um sacerdote que cultivou com profundidade a espiritualidade, com especial interesse pela liturgia, sabendo discernir bem o espírito autêntico e as normas práticas. Neste sentido, cuidou da formação dos sacerdotes, dos ministros extraordinários da comunhão e da publicação de ensinamentos nos jornais diocesanos. Sabia atender bem as pessoas e servi-las como bom pastor. Foi um zeloso ministro de Cristo e servidor da Igreja.

Ao mesmo tempo que agradecemos a Deus o dom da vida e do ministério deste fiel e generosos sacerdote, manifestamos o reconhecimento à Casa Diocesana do Clero e às suas colaboradoras, pelo competente e carinhoso serviço com que dele cuidaram nesta última fase da sua vida. Apresentamos sentidos pêsames aos familiares e amigos e imploramos de Deus o dom de novas vocações sacerdotais para o serviço do Seu povo, conforme o exemplo deste sacerdote.

Leiria, 20 de abril de 2020.
Padre Jorge Guarda
Vigário Geral

sexta-feira, 27 de março de 2020

Aos paroquianos de Monte Real e Souto da Carpalhosa


Aos paroquianos de Monte Real e Souto da Carpalhosa

O tempo e a situação que vivemos são estranhos. Nunca, entre nós terá acontecido tal situação de, para nos protegermos uns aos outros, estarmos impedidos de exercer umas das caraterísticas fundamentais do ser humano: a sociabilização. O que acontece tem que ser feito á distância, usando outros meios, não o da proximidade física.

Graças a Deus, são muitos os meios de que dispomos para comunicarmos e estarmos, assim, minimamente presentes nas vidas dos que fazem parte da nossa vida.

Alguns pontos:
1.    Sigamos as orientações que nos são dadas, permanecendo em casa, tudo fazendo para que não seja posta em risco a nossa vida nem as dos outros. Tenhamos presente que se por irresponsabilidade contaminarmos alguém com um vírus que pode causar-lhe a morte é pecado, é grave, é atentar contra a vida.
2.    Habitualmente, fazemos um tempo de adoração do Santíssimo Sacramento, via Facebook CLIQUE AQUI das 15:00 às 16:00 (todos os dias); Missa às 19:00 (segunda a sábado); Missa às 11:30 (domingo). Tendo em conta as frágeis condições de captação de imagem e som, se for possível, ligue o computador ou o telemóvel à televisão, vê-se e ouve-se melhor;
3.    Chegou-nos a informação de que em alguns sítios a imagem peregrina de Nossa Senhora continua a andar de casa em casa. Isso não deve acontecer. Nem as imagens peregrinas, nem os coros da Sagrada Família devem, neste tempo, ser passadas de cada em casa. Devem parar onde se encontram, retomando-se, depois o normal circuito de casa em casa.
4.    Na celebração da Eucaristia rezamos por todas as intenções das comunidades. Se alguém quiser que seja anunciada alguma intenção particular, deve comunicá-la atempadamente.

Não deixamos de aproveitar este tempo, esta ocasião, para repensar a vida e os valores que vivemos, procurando recentrar o que somos e vivemos.

A bênção e a graça de Deus desçam, e permaneçam, sobre cada um.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Tempos Incertos

Mais um dia de necessária clausura nestes tempos incertos. Não temos que queremos, temos o que nos é possível. A nós cristãos, fica-nos a tristeza de não podermos celebrar comunitariamente a fé, mas leva-nos a uma reflexão e tomada de consciência dos momentos de graça divina do que tivemos até aqui e não aproveitámos. Queira Deus, fique em nós uma vontade grande e firme de nos tornarmos mais próximos de Deus, percebendo que não é em nossas mãos que está a salvação.

Hoje e amanhã era, permita-se-me que diga, é o tempo das “24 horas para o Senhor”. Não o faremos diante do santíssimo Sacramento, nas igrejas, para evitar aglomeração de pessoas, mas podemos fazê-lo no silêncio de nossas casas. Estamos a apontar para fazer adoração em privado, mas com transmissão via Facebook, na medida do que nos for possível, amanhã, dia 21, no período da manhã e também no da tarde. Permitindo, assim, que cada um, possa seguir nas suas casas e fazer silêncio orante.

Agora, que temos “todo o tempo do mundo” para rezar, e ainda sobra algum para “pasmar”, deitemos as mãos na massa e construamos um futuro diferente. Depois da tempestade vem a bonança. Não podemos, no entanto, descurar que outras tempestades surgirão.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Covid-19 Comunicação


domingo, 1 de março de 2020

O MUNDO, O DEMÓNIO E A CARNE

Estão na memória de muitos de nós os chamados “inimigos da Alma”, seja dizer-se: os inimigos da Salvação. Mundo, demónio e carne. Reportando-nos ao que nos diz a Escritura sobre o tempo de Jesus no deserto, façamos uma breve aproximação entre Jesus e estes inimigos da alma que, nós tão tranquilamente descuramos.

1.  O mundo não é mais que a mundanidade, o viver distanciados de Deus, pondo no lugar que Lhe compete as realidades mundanas, coisas e pessoas, a que tanto valor damos. Para Deus adota-se o mundo. Jesus retira-se do mundo das coisas e das pessoas, para o encontro com Deus, em retiro, no deserto;

2. Demónio: a força do mal, o príncipe do mundo, como Jesus lhe chama, que tudo faz e se serve para enganar, seduzir, desviar e afastar de Deus as pessoas e a obra da Criação divina. Discreta ou descaradamente, nos envolve e atrai, com ilusões e enganos, fazendo parecer ser bom e meritório o que realmente é mau, condenável e à condenação conduz. É tão fácil ceder que nem é preciso dar passos, tranquilamente se desliza para dentro da “cantiga” com que nos encanta. Jesus afastou-se dele, recusando-o, não cedendo, vencendo-o com a Palavra de Deus, impondo-se a Si mesmo como Senhor da sua vontade e do seu querer fazer a vontade do pai e só a Ele adorar;

3. Carne: são os prazer que se buscam pelo prazer. Nosso corpo é bom, se de equilíbrio e a harmonia se compõe. A sociedade que somos tem como princípio e pano de fundo do existir o “carpe diem” (vive, goza, a vida). Talvez mais do que nunca, nos centramos em nós, na prossecução dos nossos prazeres e tudo orientamos para a realização e o consolo pessoal. O rumo que se vai percorrendo está a orientar-se no sentido de tudo ser lícito e bom, desde que concretize os nossos, por vezes loucos, desejos. Não comemos para viver, mas por enfartar o prazer; não celebramos dentro da alegria, mas buscamos alegra-nos, no exagero do álcool e das drogas, para pensarmos que somos felizes. Jesus jejuou, consagrando o esforço do controle cada um de nós é chamado a ter de si, vivendo como senhores de nós mesmos e não, deixando-nos ser controlados pelo parecer, pelo ter, pelo poder.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Viagem à Croácia



segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Contemplar o Mistério


Não dá para dizer e, a nós, não dá sequer para contemplar. Já todos Não dá para dizer e, a nós, não dá sequer para contemplar. Já todos nos sentimos fascinados com o terno encanto do sono de um bebé. Talvez tenhamos tido até uma certa inveja da paz que o envolve, precisamente por ser o que buscamos e ele, sem esforço algum tem-na toda.

Podemos deixar o pensamento voar até à gruta de Belém, mais fácil para quem teve a graça de a visitar já, e deixá-lo contemplar o cenário humano-divino: Maria e José sem palavras para dizer. O menino envolto em paninhos ternamente preparados por sua Mãe e deitado na manjedoura. O mistério naquela pequenina gruta, vivido na intimidade de uma família em que o amor é pleno, era tão intenso  que  o  não  poderíamos sentir: o Céu veio à terra e a terra tornou-se Céu.

Aquele Menino  era em tudo perfeito: Deus revestira-se da humana natureza, buscando-a numa perfeita criatura, onde a fealdade do peca não tinha machado nem a alma nem o corpo. Deixemos de lado a cor dos olhos ou a tez da pele para nos fixarmos, como fizeram Maria e José, no Mistério do Homem-Deus. Ficaremos sem palavras, de olhar humedecido e coração tremente, como fica quem se deixa comover pelo próprio Deus. 

Contemplar o Mistério deste Menino é deixar-se envolver pela grandeza do amor terno de Deus e, deixando-se levar por ele, permitir que a sua ação em nós transborde e toque todos aqueles de quem, de algum modo, nos aproximamos. Um coração tocado por Deus não se fecha batendo em solidão, mas explode para bater em uníssono com o daqueles que são de boa vontade e procuram o encontro com Deus.

Fazer Natal é parar em cada dia, fechar os olhos ao mundo, contemplar um pedacinho de Deus, num dos momentos da História do seu amor em nossas vidas,   permitir que Ele entre mais em nosso ser e que nos deixemos envolver plenamente no mistério da história de amor que faz com cada um de nós, pessoalmente



sábado, 2 de novembro de 2019

Com Tudo e Sem Nada

Não há coração ou cabeça que resistam. Vivemos em ambiente minimamente cristão, celebrando nestes dias “Todos os Santos” e os “Fiéis Defuntos”, festas profundamente cristãs, que nos apontam para a realidade de Deus, do bem, da luz, da vida. A elas antecipou-se uma outra de cariz completamente oposto e antagónico: o “Alloween” que evoca o mal, as trevas, a morte… Aparentemente não se trata de mais que uma festa mas, indo um pouquinho mais além percebe-se que, realmente assim não é.

Deixemos isso para nos centrarmos no que quero partilhar convosco e que, me preocupa, embora não angustie. Digo que não há coração que resista por estarmos a viver num mundo em radical mudança, encontrando-nos no meio de opostos que nos atraem e repelem: o homem e a máquina; o material e o espiritual; o bem e o mal…

Somos famílias pequeníssimas mas vivemos em casas enormes; recebemos informação em cima do acontecimento, mas não nos conhecemos uns aos outros; temos centenas de “amigos” espalhados pelo mundo, que “fizemos” nas redes sociais, mas não saímos de casa para falar ou estar com os vizinhos; queremos dar o melhor às nossas crianças, mas não lhes ensinamos os valores que lhes dariam a felicidade; somos grandes humanistas, mas defendemos mais os animais que as pessoas; gastamos biliões a construir naves espaciais, mas pagamos muito caro os transportes; gastamos tudo na busca de poder viver no espaço, mas não resolvemos os problemas da fome, da vida, na terra; temos tudo, como nunca se teve, mas, no fundo, somos infelizes. A lista continuaria.

Vivemos tão vazios e distantes de nós mesmos porque recusámos o termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Se não nos fixamos na razão por que fomos criados, perdemos o sentido de nós mesmos. Torna-se isso insuportável e torna-nos a nós insuportáveis para os demais porque os olhamos como concorrentes não como irmãos, como coisas ao nosso serviço não como pessoas a nós iguais. E o vazio dentro de nós enche-se sempre mais do nada que lhe damos na de o preencher. Cada vez mais  nos sentimos vazios porque nos buscamos fora de nós mesmos.

Se não sabemos o que realmente somos, não levaremos as crianças a crescer na descoberta do que são. Geramos nelas a confusão. O que julgam ser recebem-no de fora, de ideias de gente que não sabe o que é, e não de dentro de si mesmas, da força interior com que foram criadas. Serão mais infelizes que nós.
Não há coração ou mente que resistam.                                       

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A Mais Alta Dignidade

Conhecemos todos o modo de pensar desta sociedade que somos, no que se refere, de modo geral, naturalmente, a Deus e a tudo o que Lhe diz respeito. Invertemos valores: pusemos o homem no lugar de Deus, e perdemos o senti-do do que somos; agora estamos em processo rápido de profunda perda de dignidade humana, quando pomos os animais acima das pessoas. A consequência de nos pormos acima de Deus levou-nos a ficar abaixo dos animais.

Perdidos numa forma de pensar que nos afasta de Deus, reagimos da forma mais infeliz quando uma criança, adolescente, ou jovem manifesta o interesse por se consagrar a Deus no sacerdócio. Digo ser a forma mais infeliz porque, além de não se respeitar a pessoa, se desmotiva e arrasa "em modo (uso a palavra da moda) bulliyng, um projeto de vida pessoal, e, mais grave ainda, pode estar-se a impedir um projeto de Deus, o mais dignificante do ser humano: ser integrado, por escolha divina, no ministério do próprio Jesus Cristo.

Bem sei que só quem acredita e vive da fé pode entender e dar valor ao que escrevo: outros veriam nisto, se o lessem, uma oportunidade de escárnio e maldizer. Quem dera que acontecesse só com quem se diz não cristão! A dificuldade maior está em que a atitude desmotivadora e negativa acontece dentro da própria casa, na família, como nos cristãos em geral. 

Muito se diria, mas ficam apenas pensamentos que mostrem um pouco da grandeza da vocação sacerdotal e da vida que, exercendo-se bem, se gera no próprio sacerdote e à sua volta. Tem pecados? Sim. Como qualquer pessoa deve não viver neles. Não sendo o sacerdócio uma "profissão", mas uma vocação, o Senhor chama os que quer e investe-os do seu próprio poder para que possam atuar Nele.

Nos sacramentos, particularmente na Eucaristia e na reconciliação atua o próprio Deus. Jesus eleva a uma tão alta dignidade o sacerdote, que chega ao ponto de depender dele para atuar. Se o sacerdote não quiser, a Eucaristia não acontece. Sendo uma responsabilidade muitíssimo grande, o ser padre é uma dignidade infinita, que deve levar o sacerdote a uma profunda humildade. É digníssimo ser sacerdote, como o é ter um filho que o seja.